sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Santa Cecília e as vaquinhas cor de azul


Além de ser a santa padroeira dos músicos e da música sacra, Santa Cecília também é um colégio católico um tanto tradicional aqui de Porto Alegre. Ontem, voltando para casa, eu passei pela frente do colégio e comecei a pensar que, apesar de ter morado toda a vida nos arredores da escola, jamais estudara lá...
Até que, como num lampejo, lembrei-me que isso não era verdade: eu havia estudado lá, sim, conforme uma das minhas memórias mais antigas e não fabricadas. Estudei lá no Maternal ou Jardim A e, se não me falha a memória, fiquei lá por menos de uma semana.
Parte dessa lembrança envolve muito choro (de criança, filho único de mãe solteira) e ranger de dentes (de leite). Lembro-me que passávamos o tempo todo brincando. Entre os brinquedos disponíveis, havia uma coleção de animais de plástico, todos monocromáticos - em verde, amarelo, vermelho... Certo dia, minha mãe foi buscar-me no colégio e me encontrou chorando copiosamente, dizendo - entre lágrimas - que jamais iria voltar naquele colégio, que era pra ela me arranjar outro lugar pra passar os meus dias. Quando perguntado o motivo da minha revolta, lembro-me claramente de ter respondido que não me haviam deixado brincar com as vaquinhas "cor de azul".
E nunca mais pus meus pés no Santa Cecília...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Plantão Balzac


Saiu na Folha:

A Globo informou, na noite desta terça-feira, que a apresentadora Xuxa só terá um programa semanal em 2008. A atração será exibida no período da tarde dos sábados. A estréia está prevista para o mês de abril.

O diário "TV Xuxa" será extinto no começo do ano. No lugar, a Globo vai exibir desenhos animados da "TV Globinho".

Xuxa, que perde até para o Pica-Pau, terá menos espaço em 2008
A emissora evitou fornecer detalhes sobre o novo projeto da apresentadora. Informou apenas que o programa terá "muita interatividade e dedicado às crianças e à família".

2007 foi um ano difícil para Xuxa. Seu programa diário não ostenta mais índices satisfatórios nos levantamentos do Ibope. Já foram testados diversos formatos, sem sucesso. Sua nova atração, o "Conexão Xuxa", perdeu para a "Turma do Pica-Pau", da Record, no último domingo.




Que a Xuxa já havia perdido seu appeal lá poe 1993, todos já sabíamos. Agora, perder em audiência pro Pica-Pau é humilhante demais.
E, pior: nem foi pro Pica-Pau clássico, mas sim para aquele arremedo de Pica-Pau de extrema-direita.
Alguém mais acha que a Xuxa deveria voltar a fazer pornô?

You spin me round, like a record


Ontem à noite, conversando por telefone com minha amiga Mari, fiquei sabendo da existência de uma festa super hiper hype do artê novaiorquino. A festa 1992 surgiu como uma proposta de ver os anos 90 sob o prisma da nostalgia, o que - ao menos cronologicamente - é super apropriado. De acordo com os criadores, o ano de 1992 foi escolhido por representar o pináculo da arte e do glamour (!!!) da década, e isso me fez pensar...
Em 1992, Nevermind já era notícia de ontem, mas ainda fazia a cabeça da gurizadinha que bebia vinho quente na frente do Lola e ia cheirar loló atrás do Araújo Viana (o que, na época, era muito mais transgressor do que fumar maconha); os épicos duplos do Guns'n'Roses também, ambos lançados em 1991.
Eu, no entanto, estava ainda lutando contra o meu estigma de nerd. Quando se é gordinho, de óculos e se tira boas notas, a oitava série não é dos melhores lugares para se estar. Portanto, minha exposição a essas novas tendências musicais de 1991 só foram me fazer alguma diferença lá por 1993. Naquela época, o máximo para mim era ouvir Star, do Erasure, num cassete gravado da rádio no meu toca-fitas portátil (não era walkman porque não era da Sony) que precisava de 4 pilhas AA com autonomia de 40 minutos...
Não que música não me chamasse a atenção naquela época. No final dos anos 80, eu já conhecia (mas não gostava muito de) Guns, New Kids on the Block, Pet Shop Boys... Ou seja, todos os discos confirmados nas reuniões dançantes em casa de colegas de colégio (sempre aos Sábados, sempre começando lá pelas 7 da noite, sempre terminando lá pela meia-noite, sempre com mais meninos do que meninas, sempre com mais salgados do que refrigerante, sempre com uma vassoura acalentando os meninos menos desejados).
Adolescência é foda. Tê-la vivido nos anos 90 não a tornou nem um pouco mais fácil...

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Thirty is the new 18.



Balzac foi um gênio, pra dizer o mínimo. O cara não só escreveu, ao longo da sua vida, mais de cem romances e peças onde esmiuçava, com olhar de puta velha, a sociedade francesa pós-revolucionária, mas também cunhou a imagem da mulher de trinta anos - e esta, talvez, tenha sido sua maior contribuição para a cultura ocidental, uma vez que ninguém tem saco pra ler TODA a Comédie Humaine.
Todo mundo fala nas balzaqueanas mas quase ninguém entende o contexto em que Balzac se referia à esta fêmea. Portanto, nas palavras dele mesmo:

Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer.


Chegando aos trinta anos, tenho me visto, por muitas vezes, extremamente nostálgico - a ponto de criar mais um blog. Não aguento mais experimentar a sensação de saber que grandes ícones da minha formação humana já têm mais de dez, quinze, vinte anos e ter que levar no peito sozinho, calado.
Portanto, este é um blog da depressão velha que não quer sê-la.

Enjoy.